Exegese

EXEGESE BÍBLICA

O termo EXEGESE  ou  exegese  bíblica  é  muito comentado  pelos  pregadores e pastores na exposição dos  seus  sermões  ou  por estudantes ou teólogos  nas  suas  palestras,  no  entanto,  para  o leitor   simples  ou  para  um  membro  da  igreja  este  termo  “exegese”  soa  um  pouco estranho,  longe  de  ser  entendido  com  facilidade,  e  longe  das experiências  diárias da fé comum.  Afinal,  o  que  é  isso?

Exegese tem sua origem no grego, e significa simplesmente “explicação”.   A pergunta é então: “Por que não se usa  a  palavra  “ explicação ” em  vez  de  exegese?” Isto  na  verdade  se  manteve desde tempos antigos, pois  a  palavra  exegese  tenta  ser uma  explicação,  porém  mais  complexa  fazendo-se   valer  para  tal,  de  várias  ferramentas  também  de  idiomas,  leituras,  com  forças  XXXXXX de  textos  antigos  e  dados  da  própria  história,  e  outras  ferramentas  que passou a ser úteis para o fim  da “explicação”.  

A exegese que ser uma ajuda  para entrar de maneira profunda na origem, no significado e na mensagem do texto Bíblico.

Porque a necessidade de  essas ferramentas para entender e ler os texto Bíblicos ? Sabemos que todos nós temos a capacidade de compreender e interpretar o que sucede ao nosso redor e com os nossos semelhantes, a partir dos sentimentos, conhecimentos, experiências e vivências, crenças e por último a nossa fé.

Nossa cultura, educação recebida, origem familiar e religiosa são algo assim como “óculos” pelos quais lemos tudo o que acontece ao nosso redor e com nossos semelhantes. No entanto, com o passar do tempo vamos adquirindo novos conhecimentos e os nossos “óculos“ vão mudando a maneira de analisar a situações. Porém, os “óculos“ apenas foram mudando e continuamos usando os “óculos” que nos farão  perceber e entender o que acontece e assim formar explicações disso ou daquilo.

As pessoas de todas as culturas e de todos os tempos tem seus “óculos “ próprios. Da mesma forma aconteceu com os autores Bíblicos que tiveram: seus idiomas, crenças, experiências, conhecimentos, sentimentos, sempre influenciados pela fé em Deus e como fundamento terem o seu chamado e a ordem que receberam, sentiram, e escreveram .

Assim se iam formando os textos Bíblicos, logo os livros Bíblicos, como um apanhado de experiências do povo de Deus, procurando sempre interpretar a ação de Deus na sua história e na sua vida.  Entenderam que isso não era patrimônio pessoal e sim que deveriam anuncia-los a toda Humanidade.

Na Bíblia tudo é testemunho da presença de Deus no mundo e com os homens, sendo também um instrumento na realização do reinado de Deus e Seu nome. Pelo seu caráter de Norma e Fundamento, exige de todo leitor a Tomá-la como palavra de Deus, como fundamento da fé e como fundamento da missão da igreja. Recebendo assim a Bíblia o nome excelso de BÍBLIA SAGRADA.

Para compreender a mensagem da Bíblia devemos fazer todo intento possível  primeiramente
Classificando nosso próprios “óculos“ e logo compreender os “óculos” que usaram os autores Bíblicos, seus idiomas, suas maneiras de expressar-se, suas tradições, sua maneira de escrever, sua maneira de dar testemunho da própria fé e sua forma de entender e transmitir a mensagem. Muito tempo se tem passado e as coisas muito tem mudado desde que a Bíblia foi escrita.

Para ir em procura  de entender os textos bíblicos sem dúvida, devemos Ter um método de aproximação. A palavra método significa: um caminho para chegar ao fim. Não é o fim em si mesmo e sim a maneira de aproximar – se a ele.

O antigo testamento tem seu método e para entrar nele temos que saber o idioma que foi escrito. A BÍBLIA (AT) foi escrito em hebraico e aramaico (parte) e contem histórias , experiências de fé e vida do povo de Israel.

Os acontecimentos bíblicos se desenvolvem no mundo conhecido, porém distante: no Oriente perto da Mesopotâmia e do Egito e no mundo helenístico e Romano, onde o monoteísmo é exclusivo e se opõe a todo tipo de idolatria, tendo uma clara idéia de crítica de liberdade e de crença.
                                              

QUAIS SÃO OS MÉTODOS EXEGETICOS


Quando nos deparamos com a idéia que temos  de tempo, logo pensamos em presente, passado e futuro. Assim cada coisa que vemos e analisamos tem seu passado, sua história, sua formação, também tem seu próprio presente que viria a ser a coisa em si mesma, logo também tem seus efeitos sobre os que a recebem, se opõe ou acreditam ( crêem ). No entanto, os métodos exegéticos tentam fazer justiça assim: 

É impossível olhar a Bíblia de sua própria história. Por essa razão com os métodos se pesquisa a história. De concreto a Literatura Antiga não pode ser uma opção, ou voluntariedade, algo para fazer no tempo livre de estudantes ou professores. Deve ser uma obrigação de todo leitor e intérprete Bíblico. Sem os instrumentos exegéticos e seu engenho, pois ninguém tem acesso direto a Bíblia.

Não podemos descuidarmos e devemos sempre considerar que a Bíblia é Sagrada para a Igreja Cristã e o AT é Sagrado para o judaísmo. A Bíblia é o cânon, norma, regra, medida de fé e conduta da Igreja. Pela Bíblia a Igreja recebe a Palavra de Deus. A metodologia exegética é fundamental para a exegese séria e compromissada com Deus. A Bíblia deve ser interpretada sempre teológicamente por ser Escritura Sagrada .

O objetivo de todo exegeta é sempre desafiador pois depois de cada pesquisa, é desafiado a reler e reinterpretar, com mais exatidão. O texto deve sempre fazer falar ao Deus da Bíblia, as frases da sua pesquisa e interpretação, converter a palavra antiga num discurso atual. Os métodos são apenas parte do processo explicativo e interpretativo. É necessário classificar historicamente os problemas, dar orientação corrigir teólogos. No entanto o caminho é um só e a compreensão em parte não é o todo dela.   

HISTÓRICO-CRITICO

Este método parte sempre do próprio texto Bíblico e não da nossa interpretação. Trata-se de um trabalho histórico, pois é um estudo de acordo com as exigências metodológicas da historiografia, que tem como propósito investigar a história da formação do texto. Trata-se também de uma conjunto amplo de técnica e pesquisa que levam  os seguintes nomes: Crítico textual, filologia, crítica literária. Crítico é a história das formas, crítico é história da redação e análise, exegese ou leitura sociológica.

CRITICA TEXTUAL

Até o presente momento, nenhum texto Bíblico original tem-se encontrado. O que usamos são cópias de cópias manuscritas antes da invenção da imprensa por Gutemberg no século XV. Todos os textos eram escritos a mão e se multiplicaram da mesma maneira. Uma cópia  pode Ter diferenças  em relação a copiada, podendo ser esta diferença maior ou menor dependendo de quem copia. Também sabemos que existem diferenças, pois se introduziram mudanças intencionais, melhorias, explicações, indicações especiais e correções. A crítica textual tenta reconstituir o texto original e para isto deve contar com escritas antigas: papiros, códices de diversas épocas, traduções e outras ferramentas.

FILOLOGIA

Trata-se do estudo da língua em toda a sua amplitude. Uma análise léxico-gramatical e a origem da evolução de conceitos ( etimologia ), qual a função em determinado tempo.

CRÍTICA LITERÁRIA

Esta análise se dedica a observar e apontar anomalias, desigualdades que  se observam no texto. Assim lograr, delimitar unidades temáticas, pesquisar a integridade, restaurar a ordem original que pode Ter sido mudada. Enfim determina a autenticidade ( ver se o texto provem ou não do mesmo autor ), a relação literária de dependência e descobrir as fontes escritas e orais dos textos.

CRÍTICO E HISTÓRICO DAS FORMAS

Esta é uma área de pesquisa que se ocupa da constituição das formas e dos gêneros literários: procura sua situação, onde surge e como surge. O chamado Zitz Imleben ( ubiquação na vida), faz comparações com formas, gêneros literários e textos similares do mundo Bíblico, tomando com ponto de partida que os autores, se faziam ajudar por certas formas da literatura de sua própria época em que atuavam.

HISTÓRIA DAS TRADIÇÕES

Esta remonta à formas Pré-literárias e procura estabelecer o material, motivo, imagens e conceitos que existiam antes e no período do escrito. Para isto se toma como ponto de partida que nenhum escritor escreve ou inventa tudo novo, mas sim, trabalha com conceitos e tradições que ele já conhece.

HISTÓRIA E CRÍTICA DA REDAÇÃO

Aqui se trabalha com a história das tradições porém,  pesquisando as intenções do autor, o trabalho do redator e a situação histórica do mesmo.  

A HISTÓRIA DAS TRADIÇÒES

Esta procura as formas pré-literárias e tem como objetivo identificar os materiais, motivos, imagens e conceitos que existiam antes do texto como palavra de Deus. Leva á sério o fato de que nenhum autor escreve ou inventa tudo novo, mas trabalha com conceitos e tradições que já são conhecidos.

CRÍTICA E HISTÓRIA DA REDAÇÃO

Esta aponta e identifica as origens do ( conceito, forma literária, ditos, fontes ),texto pesquisado, procurando os interesses do autor, o trabalho do redator e a situação histórica do mesmo. Se torna necessário conhecer com detalhes as emendas que o autor fez com os elementos anteriores e dele e também as modificações que impôs de suas fontes.

ANÁLISE SOCIOLÓGICA

Esta pesquisa coloca o texto na sua história e destaca a importância que se tem de um produto das condições sociais, econômicas, políticas e ideológicas da sua época. Isto nos permitirá reconstruir  em ponte essas condições e o que possibilita compreender melhor o texto Sagrado, como uma expressão diante de Deus e como falava para essas situações.

Como a cada atividade são necessárias as ferramentas apropriadas para realizá-lo. A pessoa que faz exegese, deve ter conhecimento na sua área, prática, métodos. Ss ferramentas da exegese ( do estudioso da Bíblia ) São:
1)    Edições do texto original;
2)    Boas traduções do texto original;
3)    Dicionários dos idiomas bíblicos;
4)    Concordância e estatísticas;
5)    Dicionários Bíblicos e teológicos;
6)    Sinopses;
7)    Manuais de Exegeses.

TEXTOS ORIGINAIS ( EDIÇÃO CRÍTICA ).

A base para todo estudo sério da palavra de Deus é o texto original; Hebraico para AT e Grego para NT. No entanto, é lamentável não possuirmos nenhum texto original e somente termos as cópias das cópias. O texto original que temos hoje, é um texto feito à base de comparações das cópias e estas estão guardadas em museus e bibliotecas especiais. A comparação destas cópias e a indicação das diferenças entre elas, são o que chamamos de variantes textuais. Por isso se chama edição crítica.

BÍBLIA HEBRAICO ( BHS )

A Bíblia mais usada para a Exegese e que contém de forma mais completa o texto hebraico se chama Bíblia Hebraica a qual tem-se editado muitas vezes. No ano de 1937 a edição preparada por Rudolf Kittel para a Sociedade Bíblica de Wurttemberg, Alemanha, chegou a sua terceira edição; sendo  substituída por uma nova chamada de Bíblia Hebraica Sttutgartensia ( BHS), foi lançada entre 1967 e 1977 pela equipe de exegetas alemães e publicada pela Sociedade Bíblica Alemã. O nome de Sttutgartensia,  vem da cidade de Sttutgart, sede da Sociedade Bíblica Alemã. Em 1984 se imprimiu a Segunda edição da BHS com introdução em alemão, inglês, Francês e espanhol. O texto hebraico da Bíblia de Kittel e mais tarde Sttutgartensia, tem como base o texto chamado “Códice de Leningrado”, escrito no ano de 1008 ou 1009d.C. e este está guardado  na cidade de Leningrado e seu nome científico é  B19A (L).

A SEPTUAGINTA

Quando se trabalha com Exegese, as pesquisas devem ser a mais abrangente possível, e o mais fiel ao texto original e para isso devemos contar com toda ajuda possível. É por esta razão que a Septuaginta adquire importância, por ser uma versão grega conhecida como LXX, Septuaginta ou Versão dos Setenta, segundo a lenda que 77 sábios traduziram do hebraico para o grego, entre os séculos III e II a.C., em Alexandria, Egito. Os judeus foram beneficiados com esta tradução, pois eles já se tinham esquecido do hebraico e só falavam o grego. A Septuaginta contém mais livros que o cânon hebraico possui. Estes são os livros apócrifos da Bíblia Católica. 
           
OBJETIVO

O método que usaremos tem como objetivo, juntar informações suficientes e achar o motivo central para assim analisar, sintetizar, interpretara vida e o pensamento dos israelitas na sua trajetória com a ajuda do Método Histórico. A pesquisa reconhece as pessoas como atores que atuam  de acordo com um propósito delimitado. Assim devemos prestar atenção a:

1)    Encontrar o eixo organizacional interno e externo;
2)    Qual a característica do seu sistema de sociedade em contraste com outros sistemas.;
3)    Com isso determinar o sentido do texto no seu mais variado contexto. A exegese não só perguntará o que o texto disse “para aquele tempo e lugar”, mas também como e para que o texto foi escrito ( seu funcionamento) e o impacto pretendido sobre a vida e atividade dos destinatários e formuladores. Também é necessário por o texto em relação a obra literária, sua comunidade, o  ambiente que deu origem.

RAZÕES PARA O USO DESSES  MÉTODOS DE EXEGESE:

1)    Existe um abismo entre o que pregamos em relação à vida – religião e prática nas  Igrejas e entre os que estudam a Bíblia hoje;
2)    O abismo existente entre o passado e o presente. O passado “é como história morta ” e o presente “como vida real” e se tenta unir, mostrando que o passado Bíblico foi um dia uma vida real e como o presente está formado por uma história a ser formada e entendida, logo, no passado, poderemos encontrar respostas se quisermos viver inteligentemente hoje.;
3)    O abismo entre pensamento e prática;
4)    O abismo entre estudantes bíblicos ( acadêmicos ) e estudantes populares, onde o estudante bíblico ( acadêmico ) desenvolve um claro sentido da Bíblia, falando claro e de forma competente para decidir quais os conteúdos bíblicos e como pode ser lida.

Temos completa ausência de métodos bíblicos eficazes para explicar a Bíblia. As boas intenções não são suficientes e eficazes para explicar a Bíblia.


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